Agora não

Dez anos atrás eu estava sentado atrás de uma Mapex Venus vermelha em um palco escuro, e olhava para as costas de três amigos meus, cada um segurando um baixo ou uma guitarra.

Eu girava nervoso as baquetas nas mãos, eu suava, e o pé direito no pedal do bumbo tremia um pouco. Devo ter batido a cabeça no suporte do microfone atrás de mim pelo menos umas quatro vezes, e não sabia se minha voz ia funcionar quando eu precissasse fazer o backing. Na noite de sexta em 02/02/2007 a primeira luz de um holofote caiu sobre mim, eu levantei as mãos acima da cabeça, bati as baquetas quatro vezes – tremendo -, e toquei “Not Now”. Eu temi cada porrada no prato de ataque, a baqueta sair voando ou quebrar, a corda de alguém estourar, mas três minutos depois a música acabou e eu era o cara mais feliz do mundo.

Poucas vezes na vida eu tive coragem de encarar a platéia com a luz forte em cima de mim e fazer alguma coisa, e eu esquecia de que depois era só felicidade. Algumas baquetas quebram, às vezes até cair estante de prato acontece, mas no final é gostoso, vale a pena. Preciso sempre me lembrar disso, me empurrar pra frente, fazer alguma coisa. Não sei onde no caminho a música parou, mas bora lá recomeçar.

Come here, please hold my hand, Lord, now
Help me, I’m scared please show me how
To fight this, God has a master plan
And I guess I am in his demand

blink-182 – Not Now

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