Quase pai

Meu pai foi um bom pai, no geral. Lembro das Fantas com coxinha no bar do lado do trabalho dele, das partidas de River Raid e Enduro juntos, dos filmes e séries (e de como eu tinha medo de Arquivo X, mas hoje adoro), dos conselhos e das histórias, da ajuda, do amor. Meu pai é o homem que eu queria ter sido e sei que nunca chegarei tão longe. Ele pode não saber, mas eu o idolatro.

Quero ser esse pai que viveu momentos legais, no fim da jornada.

Ainda não sei como me sinto, provavelmente só vou saber quando ela chegar e estiver aqui no meu colo. Não sei como agir nem o que fazer, e talvez nunca saiba de verdade, dando apenas o meu melhor. Não consigo organizar muito bem as coisas e os pensamentos porque não sei por onde começar, o que tem que ser feito e o que pode deixar pra depois. Não sei onde investir o dinheiro, e o que é besteira comprar. Perco-me em mim mesmo de vez em quando e esqueço que preciso apoiar a Jacque – desculpa, amor.

Sei que já amo minha filha, que quero ela perto; já tenho aquele impulso bobo de fazer tudo que posso e não posso por ela, de imaginar situações, planejar coisas. Também perco o sono e fico sem dormir pensando nas dificuldades e encrencas… e sinto a mãozinha apertando meus dedos. Quando eu chego em casa no fim do dia e “it’s been a hard day’s night” e minha esposa diz que ela começou a mexer quando ouviu minha voz eu sou o cara mais feliz do mundo por um tempo.

De leve e sutil, sem querer, tenho muito do meu pai. Sei que ela vai ter muito de mim (de nós, Jacque). Talvez a moça goste de vídeo-game e de RPG, rir de Monty Python, música, karate, ficção científica e literatura. São alguns dos momentos que pretendo ter com ela, e acho que o que importa são os momentos entre o começo e o fim que eu vou ter com minha filha. Quero esses momentos, essa vida, e eu já me preparei demais.

Ainda não sei ser pai. Não sei sentir o que um pai sente. Não sei o que um pai sente. Só sei que quero ser pai. Sem mistérios, tão simples quanto parece ser, sem garantias mas do jeito que quero.

Vem, Yayá.

(Essa música, canto e toco pra ela de vez em quando, e ela dá umas remexidas dentro da barriga que acho são sinais de que está gostando. =P)

Priscilla Ahn & Ashtar Command – Rosa

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Aniversário

Desde que minha esposa foi contagiada pelo amor à música (gosto de pensar que por mim) queremos criar algo juntos. Então ela me deu um ukulele de aniversário, um instrumento que eu sempre quis tocar mas sempre deixei para depois por conta do tempo, da faculdade, do trabalho, da guitarra e da bateria… É o som mais gostoso que eu já fiz, leve, tranquilo, sincero, emocional.

Quero minha vida daqui pra frente como uma música no ukulele.

Não tenho grandes filosofias para fazer no dia do meu aniversário, nem grandes reflexões sobre meus 27 anos até aqui. Faço-as todos os dias, como acho que deve ser. Comemoro mais um ano fechado vivo e vivendo (tem gente que só sobrevive e gente que só vegeta), que não foi exatamente como eu quis mas foi o melhor que eu poderia querer.

Tenho muita coisa que quis ter, e tenho capacidade para conquistar o resto que ainda quero. Tenho planos e ambições… Tenho a Jacqueline para fazer tudo comigo, e meus pais e irmãs apoiando meu caminho. Vivo confortavelmente, posso ajudar quem eu amo e está precisando, e tenho abraços peludos quentinhos e lambidas sinceras de amor quando eu chego em casa.

São 27 anos perfeitos em suas falhas… Tornei-me quem sou e eu gosto disso.


Beck – Say Goodbye

Longe de mim

O maior sinal de maturidade é, na minha opinião, lidar bem com problemas de relacionamento – os de qualquer tipo: amizade, namoro, casamento, família… E o maior sinal de que uma pessoa lida bem com problemas em um relacionamento, acho, é ela não desistir dele, ou saber quando é hora de desistir dele (com estilo, talvez).

Eu acredito no amor, mas não acredito em comédias românticas.

As pessoas não vivem felizes para sempre. Uns 4 em 5 casais nem são “feitos um para o outro” para começo de conversa. Mas não sou cínico: eu acredito no amor, e em todo o mel adocicado que vem com ele. Mas o caso é que um casal que é realmente um bom par passa pelos mesmos problemas de qualquer outro casal, todo dia; a diferença, o que faz um bom casal, é que eles não deixam isso desgastá-los. Pelo menos um desses dois vai estufar o peito e encarar tudo por esse relacionamento toda vez. Se for o certo, e se eles realmente tiverem sorte, um deles irá dizer alguma coisa.


Semisonic – Chemistry

Mix tape

Passei tardes (e algumas noites) de frente para o rádio esperando tocar alguma música, para na hora certa apertar o REC; e o ódio me consumia sempre que o locutor falava durante a música. Descobrir o nome das músicas era outra aventura.

Eu sou da geração que gravava mix tape para a pessoa amada.

Mas quando eu comecei a efetivamente fazer isso os gravadores de CD já começavam a popularizar. Enfim… Ainda hoje eu acho muito bonito e gostoso gravar mix tapes. Procurar músicas, aquelas que te fazem sentir certa coisa, ou te lembram algo, fazer a coletânea, sofrer quando ter de tirar alguma que não coube; e transmitir aquilo que você quer dizer, mas não consegue, para a pessoa presenteada.

Penso com carinho no enorme valor que uma mix tape tem. No tempo gasto, no sentimento empregado; no cuidado necessário na escolha das faixas, na sequência em que elas devem ser colocadas; no encarte, um trabalho artístico. O mundo precisa de mais mix tapes, de mais gente disposta a fazê-las.

PS: Conheci a pessoa com quem me casei quando os MP3 já estavam desbancando os CDs, mas fiz questão de gravar uma coletânea para ela. Meu modo de dizer “você é importante para mim”.


L. A. Guns – The Ballad of Jayne

Resolução de ano novo

Dezembro traz promessas, resoluções, respostas (ou pelo menos as coloca em alvos)… Em dezembro o tempo aperta o peito e mostra o quão fomos desatentos e quanto dele perdemos. Pensamos nas promessas, resoluções e respostas do ano anterior para esse ano, vemos que não fizemos nada do que estabelecemos – mesmo tendo feito inúmeras outras coisas, boas ou ruins – e, mesmo assim, fazemos a lista toda novamente.

Creio que a lista mais verdadeira e mais prática, e a que mais vai contribuir para o crescimento próprio, é essa:

Resoluções para 2013

  1. Fazer o que eu me propor a fazer no decorrer do ano
  2. Ter um objetivo e cumprí-lo como puder
  3. Esquecer essa lista, tenho coisas mais importantes para fazer

Para 2013 eu prometo que vou viver 2013, não sobreviver a 2013.

E enquanto todo mundo está preocupado em cumprir seus objetivos,  a vida passando rápido sem perceber, eu vou parar para dar uma olhada nela, dar um oi, tomar um suco.


Collective Soul – December

Sobre buscar alguém para si

Algumas pessoas são difíceis de se conquistar. Outras são fáceis. Algumas pessoas gostam de ser conquistadas e continuar conquistadas. Algumas outras preferem conquistar e evitar serem conquistadas. Algumas pessoas pegam alguém e ficam com ele pra sempre. Algumas pessoas querem conquistar quantas pessoas puderem enquanto a pegada estiver boa. Algumas pessoas são bem exigentes sobre quem pegar e por quem ser pego. Outras não são. Eles só pegam o que podem pegar. Algumas pessoas simplesmente não conquistam ninguém. Algumas pessoas leem livros e vão a seminários sobre como conquistar pessoas.

Algumas pessoas só pegam seu mesmo sexo. Algumas pessoas só pegam o sexo oposto. Algumas pegam tudo e são rebeldes sexuais looooucos. Algumas pessoas não são felizes com quem estão. Então eles tentam conquistar alguma outra coisa. Alguns foram pegos e se rebelaram contra seus pegadores tornando-se não-pegos e pegando outra pessoa para ser seu próprio pego, que na verdade é só um jeito de voltar para a pessoa que pegaram eles no começo.

Algumas pessoas se cansam de pegarem umas as outras e se afastam disso. Algumas pessoas pensam que há mais na vida do que pegar uns ao outros e se esforçam no trabalho tentando conquistar o que seja que estejam querendo conquistar no lugar de alguém.

E algumas pessoas se deram conta de que as pessoas e as coisas e basicamente tudo na vida é fundamentalmente inalcançável, então não há motivos para tentar com tanto esforço conquistar essas coisas.


The Fratellis – Whistle for the Choir

Passa o tempo

Uma pessoa aí me disse uma vez que quando a gente tá numa situação que não agrada a gente tanto assim, sem querer vamos nos abrindo pra outras novidades; quando menos esperamos, pow, estamos em outra situação.

Olhamos pra outra camiseta mais bonita que a que usamos, trocamos de música porque a anterior cansou e a próxima é mais dançante, deixamos um livro de lado porque uma conversa tá mais interessante, não atendemos um telefone porque não queremos falar.

Sou a favor de não deixar oportunidades passarem, por mais chato que seja jogar fora o tênis que era o favorito mas nunca mais foi usado mesmo. Ou por mais que quem escreveu aquele bilhetinho fique chateado com a gente por jogar fora o que se tornou só papel guardado.

Reinventar-se.


Jarvis Cocker – Don’t Let Him Waste Your Time