Sem celular

Meu celular quebrou há uns 2 meses. Esse período imposto de abstinência criou em mim um ódio feroz por gente que fica com o celular na mão. E é o tempo inteiro. Todos. Ninguém larga. Tá vendo TV, celular na mão. Vai comer, celular na mão. Vai dormir, pro banheiro, lavar louça, tá lá o celular. Inclusive eu também.

Já é óbvio que faz tempo que dependemos da tecnologia móvel.

E não vejo mal nisso. É nosso próximo passo evolutivo, certeza. Vamos todos virar luz e vagar o cosmos em ondas de informação compartilhada no melhor estilo “2001”, mas, até lá, por favor, enquanto não somos seres imateriais de pura energia e informação, converse com seu amiguinho de carne e osso que está aí perto.

Dê um beijo de boa noite antes de enviar um “boa noite” via Whatsapp nos seus grupos. Preste atenção na sua família, e, enquanto faz isso, jogue os celulares deles na parede também, porque de outro jeito você vai prestar atenção em gente usando o celular. E, por fim, lembre-se: se você se sente sozinho, a culpa é sua.

Update em 12/08/2015: comprei um celular. Preciso de um, no fim das contas, tenho uma filha e preciso estar disponível. Vamos ver se resisto às tentações.

Incubus – Warning

Tentativa e erro

Não sei se a grande programação da vida possui um limite na variável que define quantas chances temos, se todas as nossas decisões e escolhas sobre tal grupo de situações uma hora batem no limite e dali pra frente é o que é e pronto, mas 1) ainda não cheguei nesse limite, e 2) às vezes parece que sim, há um limite.

Mas o limite somos nós mesmos.
(E isso é muito mais assustador!)

Eu recentemente me vi bem perto do meu limite auto-imposto, e é aterrador acelerar de encontro ao muro e saber que quem não quer virar o volante sou eu. Quero correr, fazer tudo, conquistar tudo, mas, mais do que tomar decisões erradas, porque isso é bom (as decisões podem ser erradas, tomar decisões erradas não!), eu travo, fico olhando e pensando no que fazer sem realmente pensar no que fazer, sofrendo sobre como não consigo fazer. O que é um grande loop, já que não consigo porque penso que não consigo e perco o tempo… e enfim, você entendeu. Esse, imagino, deve ser o problema de se não todos, da maioria dos travados. Pensamos demais, fazemos de menos.

E há outro lado pior: o fazer por fazer, seguindo um fluxo do que é esperado que você faça. Na maioria das vezes o fluxo estanca no limite, também.

Pretendo mudar isso. Não sei se é fácil – não deve ser. Na verdade ainda nem sei por onde começar! – talvez comece por permitir-me. Há o alvo, mas acertar o alvo exige treino e conhecimento da arma.

Mesmo sabendo do limite, fosse fácil pessoas não ficariam ricas escrevendo livros sobre como deveria ser para pessoas que sabem como deveria ser.

Ashtar Command – Deadman’s Gun

Razão e impulso

Sempre que alguém me diz “fiz o que o coração mandou” eu entendo que aquela pessoa é fraca em seu auto-controle. Oras, “coração” aí é na verdade impulso – tudo o que fazemos por impulso justificamos com emoções, com o coração. Impulso de querer algo que julgamos bom e nem sempre é, essa é a verdade. Mas… tão ruim quanto seguir apenas o coração é seguir apenas a razão – e bem mais chato.

Equilíbrio. Não separe razão e “coração”.

Acho lindo, na verdade, o ato de impulsividade que faz com que lutemos por algo. Mas… pouca coisa funciona por impulso. Se a pessoa age contra a própria preservação – que a razão mostra -, oras, o impulso não é bom. É como pular de uma ponte porque queremos a sensação de liberdade e a adrenalina e toda a emoção gostosa do momento, mas lá embaixo tudo acaba.

Também acho justo racionalizar as decisões da vida, pesar e pensar nos aspectos e consequências. Por si só parece que isso é limitador. Mas atenção: a razão não é limitadora. Ela apenas diz: “ei, psiu… use uma corda elástica amarrada em você antes de pular. Por segurança”.

Há uma expressão inglesa, white knuckles (o ato de cerrar os punhos até o sangue parar de circular), usada para denotar apreensão, tensão, medo… Cabe aqui. Relaxe, solte as mãos, encare as coisas sem desculpas. Talvez não seja tão ruim.


Ok Go – White Knuckles

Não há tentar

Eu acho bonito e inspirador essa coisa que muita gente faz de tentar e tentar e falhar mas ter tentado; ou conseguir finalmente e comemorar.

Mas não acredito nisso de tentar.

Vejo muita gente usando o “tentar” como desculpa para querer mudar sem mudar, ou não desistir de alguma obsessão que, se for pra analisar, não é positiva. E não é exagerar dizer que na maioria das vezes é só medo da mudança.

Mudar é necessário e bom, mesmo quando não parece – na maior parte das vezes.

O que eu entendo é que ou você faz, ou você não faz. Tentar é eufemismo de não fazer várias vezes. Ficar tentando não é uma opção… é ficar preso no limbo sem ter o que quer e sem superar a falha. Pare, analise, adapte e melhore, faça (talvez outra coisa).

Se você for o mesmo a mesma coisa acontece.

“Do, or do not. There is no try.”
– Yoda


Vampire Weekend – Unbelievers

Resolução de ano novo

Dezembro traz promessas, resoluções, respostas (ou pelo menos as coloca em alvos)… Em dezembro o tempo aperta o peito e mostra o quão fomos desatentos e quanto dele perdemos. Pensamos nas promessas, resoluções e respostas do ano anterior para esse ano, vemos que não fizemos nada do que estabelecemos – mesmo tendo feito inúmeras outras coisas, boas ou ruins – e, mesmo assim, fazemos a lista toda novamente.

Creio que a lista mais verdadeira e mais prática, e a que mais vai contribuir para o crescimento próprio, é essa:

Resoluções para 2013

  1. Fazer o que eu me propor a fazer no decorrer do ano
  2. Ter um objetivo e cumprí-lo como puder
  3. Esquecer essa lista, tenho coisas mais importantes para fazer

Para 2013 eu prometo que vou viver 2013, não sobreviver a 2013.

E enquanto todo mundo está preocupado em cumprir seus objetivos,  a vida passando rápido sem perceber, eu vou parar para dar uma olhada nela, dar um oi, tomar um suco.


Collective Soul – December

Sobre buscar alguém para si

Algumas pessoas são difíceis de se conquistar. Outras são fáceis. Algumas pessoas gostam de ser conquistadas e continuar conquistadas. Algumas outras preferem conquistar e evitar serem conquistadas. Algumas pessoas pegam alguém e ficam com ele pra sempre. Algumas pessoas querem conquistar quantas pessoas puderem enquanto a pegada estiver boa. Algumas pessoas são bem exigentes sobre quem pegar e por quem ser pego. Outras não são. Eles só pegam o que podem pegar. Algumas pessoas simplesmente não conquistam ninguém. Algumas pessoas leem livros e vão a seminários sobre como conquistar pessoas.

Algumas pessoas só pegam seu mesmo sexo. Algumas pessoas só pegam o sexo oposto. Algumas pegam tudo e são rebeldes sexuais looooucos. Algumas pessoas não são felizes com quem estão. Então eles tentam conquistar alguma outra coisa. Alguns foram pegos e se rebelaram contra seus pegadores tornando-se não-pegos e pegando outra pessoa para ser seu próprio pego, que na verdade é só um jeito de voltar para a pessoa que pegaram eles no começo.

Algumas pessoas se cansam de pegarem umas as outras e se afastam disso. Algumas pessoas pensam que há mais na vida do que pegar uns ao outros e se esforçam no trabalho tentando conquistar o que seja que estejam querendo conquistar no lugar de alguém.

E algumas pessoas se deram conta de que as pessoas e as coisas e basicamente tudo na vida é fundamentalmente inalcançável, então não há motivos para tentar com tanto esforço conquistar essas coisas.


The Fratellis – Whistle for the Choir

Passa o tempo

Uma pessoa aí me disse uma vez que quando a gente tá numa situação que não agrada a gente tanto assim, sem querer vamos nos abrindo pra outras novidades; quando menos esperamos, pow, estamos em outra situação.

Olhamos pra outra camiseta mais bonita que a que usamos, trocamos de música porque a anterior cansou e a próxima é mais dançante, deixamos um livro de lado porque uma conversa tá mais interessante, não atendemos um telefone porque não queremos falar.

Sou a favor de não deixar oportunidades passarem, por mais chato que seja jogar fora o tênis que era o favorito mas nunca mais foi usado mesmo. Ou por mais que quem escreveu aquele bilhetinho fique chateado com a gente por jogar fora o que se tornou só papel guardado.

Reinventar-se.


Jarvis Cocker – Don’t Let Him Waste Your Time