Mix tape

Passei tardes (e algumas noites) de frente para o rádio esperando tocar alguma música, para na hora certa apertar o REC; e o ódio me consumia sempre que o locutor falava durante a música. Descobrir o nome das músicas era outra aventura.

Eu sou da geração que gravava mix tape para a pessoa amada.

Mas quando eu comecei a efetivamente fazer isso os gravadores de CD já começavam a popularizar. Enfim… Ainda hoje eu acho muito bonito e gostoso gravar mix tapes. Procurar músicas, aquelas que te fazem sentir certa coisa, ou te lembram algo, fazer a coletânea, sofrer quando ter de tirar alguma que não coube; e transmitir aquilo que você quer dizer, mas não consegue, para a pessoa presenteada.

Penso com carinho no enorme valor que uma mix tape tem. No tempo gasto, no sentimento empregado; no cuidado necessário na escolha das faixas, na sequência em que elas devem ser colocadas; no encarte, um trabalho artístico. O mundo precisa de mais mix tapes, de mais gente disposta a fazê-las.

PS: Conheci a pessoa com quem me casei quando os MP3 já estavam desbancando os CDs, mas fiz questão de gravar uma coletânea para ela. Meu modo de dizer “você é importante para mim”.


L. A. Guns – The Ballad of Jayne

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